01 abril, 2006

 

Histórias de médicos

Ontem li um texto delicioso no blog “O Rei é mais bonito nu”. O Denis, além de ótimo escritor, é um excelente médico. Com a história dele, comecei a me lembrar de um médico não tão bom assim. Para encurtar (muito) a história, que mereceria um texto à parte, eu estava com alguns caroços no pescoço e este médico me disse que poderia ser leucemia, ou outros tipos de câncer, ou tal coisa que é muito ruim, ou outra que é pior ainda. Paguei R$ 200,00 por esta consulta, há uns 2 anos atrás. E saí do consultório com a certeza de que ia morrer.
Em casa, comecei a “preparar” tudo e a dar fim ao que eu não queria que encontrassem depois que eu morresse. Encontrei aquela poesia que escrevi com 12 anos de idade e rasguei. Separei algumas fotos em que eu estava gorda, feia demais e... ah, não quero que ninguém me veja feia assim... RASG, RASG. Entreguei para o Z um cd com dados da minha tese de doutorado e pedi que ele entregasse à minha orientadora. Um outro aluno poderia continuar meu trabalho a partir daquele ponto. E, se eu tivesse tempo, escreveria para este outro aluno algumas dicas sobre o que já tinha dado errado na tese, para que ele não perdesse tempo com isso.


Muito antes de tudo isso acontecer, ainda nos tempos de namoro, eu falava com o Z meio de brincadeira (e “meio de verdade”) que se eu morresse eu não queria que ele se casasse com outra pessoa. Mas depois da consulta apocalíptica de 200 reais, lá fui eu conversar com o Z:
_ Z, se eu morrer você pode casar com outra pessoa sim, tá?
Z, que não é nem um pouco chegado a estes papos sérios, deu logo um jeito de “mudar o rumo da conversa”:
_ Ah, eu posso? Mas e se você só entrar em coma, eu posso casar também?
_ Não, claro que não, né? Se eu estiver em coma eu ainda estou viva! Faça o favor de me respeitar!
_ Tudo bem, eu não caso. Mas posso arrumar uma namorada enquanto você fica em coma?
_ Não! Que coisa! Se fosse você que ficasse em coma eu não ia sair namorando por aí!
_ Porque você é boba! Eu não ia ficar sabendo de nada mesmo!

Bom, depois de meses de agonia, o resultado é que os caroços não eram “malignos”. O médico ficou mais rico, eu mais pobre, meu pescoço com uma cicatriz. Z não pôde arrumar uma namorada. E, a parte mais difícil, tive que continuar eu mesma a minha tese de doutorado
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