30 junho, 2006

 

Por que sou contra o sistema de cotas

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Não só o Brasil, mas todo o mundo tem uma dívida enorme com os índios e negros. Populações dizimadas, pessoas tiradas à força de sua terra natal e escravidão são fatos tristes e lamentáveis da nossa história. Não têm perdão. Também não tem perdão a falta de apoio aos negros depois de “libertos” e também não tem perdão a discriminação que ainda sofrem nos dias de hoje.

Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Nas universidades, deve (ou deveria) prevalecer a preocupação com a qualidade de ensino. Os vestibulares das universidades públicas servem para verificar se o candidato, independente de sua cor, está preparado para fazer um curso superior. Isso faz com que os alunos iniciem seus cursos com a base necessária para acompanhá-los.

Consideremos o caso da universidades particulares, onde a prioridade NÃO é a qualidade de ensino: alunos sem base matemática são aprovados para o curso de engenharia, alunos que não sabem redigir são aprovados para o curso de direito. O que acontece? Se o professor tiver um mínimo de responsabilidade, vai tentar ensinar matemática e português do primário antes de levar o curso adiante, e, consequentemente, não vai ter tempo de ensinar a matéria devida. Se o professor não tiver escrúpulos, vai fingir que ensinou para alunos que fingiram que aprenderam. E o resultado é catastrófico: engenheiros constroem prédios que desabam, médicos deformam pessoas na hora da cirurgia. Contaram-me de um advogado que enviou ao juiz um pedido para que “assustasse” um documento. E a resposta do juiz: “Buuuu! Assustei!”.

Se, através do sistema de cotas, pessoas não preparadas forem aprovadas em universidades públicas, acontecerá o mesmo que acontece nas particulares. Aí sim, destruiremos por completo o sistema educacional deste país. Aumentaremos a quantidade de semi-analfabetos com um canudo na mão. E vocês acham que o preconceito e a discriminação serão menores por causa do canudo? Eu acho que não.

Então como dar mais oportunidades a negros e índios? Primeiramente, fortalecendo o ensino fundamental e médio (faz parte deste fortalecimento aumentar o salário dos professores). Adicionalmente, criando cotas e bolsas integrais NOS CURSINHOS, para que negros e índios tenham condições de competir com os demais na hora do vestibular. E para que iniciem seus cursos superiores com a devida base. Aí sim, estaremos começando a consertar as coisas em vez de estragar de vez.

Não considero minha idéia utópica, apesar de ter certeza de que existem pessoas mais qualificadas que eu para propor outras soluções. Como ninguém propõe, vamos à minha sugestão: os cursinhos, por exemplo, poderiam ter incentivo fiscal para cada bolsa integral que concedessem a negros e índios. Quanto aos salários dos professores, podemos, por exemplo, aumentar os impostos cobrados das universidades particulares e usar esta verba nos salários dos professores de primeiro e segundo graus. “Ah, mas cursinhos pré-vestibulares e universidades particulares são uma máfia, não vão aceitar jamais este tipo de coisa”. Oras, por que é que a gente não aprende a lutar pelas coisas certas?





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